O nome de Paulo Ayres fica gravado na história de Taboão da Serra — e não somente na principal via do Parque Pinheiros, que leva sua homenagem. Sua trajetória, marcada através do espírito empreendedor, dedicação à filantropia e paixão através do conhecimento, se entrelaça com o crescimento e a consolidação de um dos maiores símbolos industriais que o município já abrigou: o Instituto Pinheiros, importante produtor nacional de vacinas e soroterápicos.
Nascido em Botucatu, em 31 de agosto de 1889, Paulo Ayres de Almeida Freitas era o primogênito do juiz e futuro presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Luiz Ayres de Almeida Freitas, e de Dona Tereza de Jesus Figueirôa Ayres, de tradicional família pernambucana. Ainda jovem, estudou em sua cidade natal antes de ingressar, em 1905, como interno na Escola Americana, na capital paulista, formando-se em Comércio através do Mackenzie College dois anos depois.
A carreira iniciou cedo, com experiências no Rio de Janeiro e em empresas do setor industrial em São Paulo. Sua reputação como gestor sólido e inovador foi construída em diferentes empreendimentos até que, em 1941, recebeu o convite para ingressar no então Instituto Pinheiros Ltda., que enfrentava grave crise financeira.
Assumindo inicialmente o cargo de Diretor Comercial, Paulo Ayres auxiliou a reestruturar a empresa, tornando-se Diretor Superintendente em 1947 e, em 1958, Diretor-Presidente. Sob sua chefia, o Instituto Pinheiros se consolidou como referência na produção de vacinas e soros, gerando empregos e fortificando a economia local.
Além do papel empresarial, Paulo Ayres teve forte atuação em instituições filantrópicas e entidades de classe, como a Associação Comercial de São Paulo. No campo cultural, destacou-se como uma das maiores autoridades mundiais em filatelia, particularmente na área de carimbos postais do Império brasileiro. Participou de exposições do país e internacionais, recebeu prêmios de prestígio e postou obras de referência no segmento.
Rotariano dedicado desde 1936, contribuiu com estudos e publicações que ajudaram a solidificar o movimento no Brasil. Também foi condecorado através do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo com a Medalha Cultural da transladação dos despojos da Imperatriz Leopoldina.
Faleceu em 13 de março de 1959, deixando um legado que vai muito além da gestão empresarial. Para Taboão da Serra, Paulo Ayres não foi somente o chefe do Instituto Pinheiros, mas um exemplo de como competência, cultura e comprometimento social podem impactar positivamente uma comunidade. Hoje, ao percorrer a Avenida Paulo Ayres, o município preserva viva a memória de um homem que soube unir trabalho, conhecimento e serviço ao próximo.
Com informações do trabalho acadêmico de Flavio Augusto Pereira Rosa
Fonte: O Taboanense


