O golpe do amor, também conhecido como “romance scam”, é uma prática frequente no mundo digital. Desde os tempos das salas de bate-papo até as interações rápidas que temos hoje em redes sociais, sempre houve pessoas mal-intencionadas dispostas a enganar outras, assumindo identidades falsas – seja a de celebridades ou de pessoas comuns.
Recentemente, personalidades como Brad Pitt e Elon Musk ficaram indiretamente envolvidas com este tipo de fraude, pois golpistas usaram imagens alteradas com o auxílio de inteligência artificial para enganar vítimas e aplicar estelionato.
“Com perfis falsos, os criminosos usam técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas e, após uma série de interações, passam a inventar histórias dramáticas para justificar pedidos de dinheiro”, explica o perito em crimes digitais, Wanderson Castilho.
Ele ainda diz que, mesmo com os avanços tecnológicos e popularização das mídias, o golpe do amor continua um dos crimes digitais mais eficazes e lucrativos. “Os criminosos sabem que, quando envolvem emoções, as pessoas tendem a ser menos racionais e mais impulsivas. Além disso, a falta de punição efetiva e a dificuldade em rastrear os golpistas facilitam a continuidade desse tipo de crime”, afirma Castilho.
Para impedir cair nesta armadilha digital, a melhor forma de proteção é a informação. Por isso, desconfiar, verificar e nunca agir sob pressão emocional são passos essenciais para manter-se seguro. Para compreender como os golpistas agem e se proteger desses e de golpes similares, Wanderson Castilho elenca algumas dicas:
Não confie em perfis com fotos de famosos: Golpistas frequentemente usam imagens copiadas de celebridades para enganar as vítimas, apesar disso, com o avanço da inteligência artificial, essa técnica também tem sido usada. Por isso, sempre verifique se o perfil é oficial.
Desconfie de perfis “perfeitos”: Perfis que mostram uma vida impecável, com numerosas fotos bonitas, ostentação e viagens poderão ser indícios de fraude. Quanto mais perfeita a história, menos real ela é.
Converse por vídeo: Conhecer o rosto da pessoa por chamadas de vídeo é essencial para defender que ela realmente é quem diz ser.
Cuidado com dificuldades em enviar áudios ou vídeos: Golpistas costumam se passar por profissionais ocupados, como militares ou médicos em missões, para justificar a falta de interações ao vivo.
Cuidado com perguntas excessivas: Golpistas estudam a vítima e adaptam suas histórias baseado nas informações obtidas.
Não compartilhe dados pessoais: Nunca forneça informações sigilosas ou clique em links suspeitos enviados nas conversas.
Caiu no golpe? Descubra o que pode ser feito
Ao se tornarem vítimas, muitas pessoas sentem vergonha ou medo de expor a situação, mas é importante lembrar que qualquer um pode acabar se tornando alvo desse tipo de fraude. Então, se você foi vítima do golpe do amor, é fundamental agir de forma rápida para minimizar os danos e impedir que mais pessoas sejam enganadas.
“O mais importante é buscar ajuda e denunciar para evitar que mais pessoas caiam na mesma armadilha”, orienta o perito. Ele mostra quais são as medidas que precisam ser tomadas imediatamente:
Guardar todas as conversas como prova – Salve mensagens, e-mails, prints e qualquer outra evidência que comprove a fraude. Essas informações poderão ser úteis em investigações e para alertar outras possíveis vítimas.
Bloquear imediatamente o golpista – Assim que notar que fica sendo enganado, interrompa todo contato com o bandido. Isso impede que ele continue manipulando a situação e tentando extorquir mais dinheiro.
Registrar um B.O. – Procure uma delegacia comum ou que tem especialização em crimes digitais para formalizar a denúncia. Mesmo que a recuperação do dinheiro seja difícil, a denúncia ajuda as autoridades a investigar e combater essas quadrilhas.
Buscar ajuda profissional – Além do impacto financeiro, esse golpe pode gerar sérios danos emocionais. Conversar com um especialista pode auxiliar a lidar com o trauma e a recuperar a confiança. Também é provável procurar associações como a Anvint, que acolhe vítimas de crimes digitais e proporciona suporte e direção jurídica.
Por final, Castilho destaca que, embora boa parte das vítimas sejam mulheres, homens e pessoas jovens também caem neste tipo de golpe, mas têm menores oportunidades de denunciar por medo de julgamento ou vergonha. Esse silêncio contribui para que os golpistas continuem agindo sem obstáculos, reforçando a necessidade de compartilhar informações e conscientizar o maior número provável de pessoas sobre os riscos desse crime.
Fonte: O Taboanense


